Carta-convite
setembro 12, 2008
Uma carta que chega fixa no instante um acontecimento, dá a conhecer um projeto que mesmo aquele que toma a palavra em nome próprio não concebe completamente. Entre o anúncio daquilo que se acena como impulso, arremessamento, e aquilo que de si vai ali se escrever, fazendo rede, tecendo laços, produzindo e promovendo a circulação de saberes, há algo que não se pode antever, algo que só a persistência no esforço, na construção do percurso, poderá oferecer-se a nós em sua qualidade de resposta.
É que aquilo que de fato nos move, nos é em parte desconhecido. Em partes verdadeiramente fundamentais. Aquilo que, de jeito, nos afeta, não é passível de ser apreendido integralmente. O onde, o quando, o por quem e o porquê somos assim interpelados são objeto de uma compreensão que só se faz mais tangível a posteriori.
Gostaríamos de enunciar aqui nossa inscrição no espaço da experiência, naquela acepção bermaniana de atravessamento, de algo que se faz sujeito a ao menos três ordens do acontecimento:
A irrupção do sujeito na língua, o acontecimento sendo aquele lugar em que a experiência ressoa, em que um rasgo se dá na estrutura, permitindo que algo do sujeito possa se dizer ali, se fazendo ouvir em sua diferença e constituindo-o enquanto tradutor e pesquisador.
O advento da relação, o cuidado de se inscrever numa memória constituída, com sua história, filiações, heterogeneidades e tensões próprias a cada campo, respeitando o modo particular de produção de sentidos dos vários olhares que nos recortam, acolhendo a diversidade naquilo que ela aponta como vivência do complexo espectro da alteridade.
O trabalho da tradução, aquela elaboração de uma escuta e de uma escrita que percorre todo traduzir e todo interpretar. Aquele delicado processo de enredamento nas ordens da língua, do discurso e do texto em todas as suas injunções, seus efeitos de autoria, suas implicações subjetivas e sociais.
Gostaríamos de celebrar um espaço em que cada um, ao dar do seu, possa se ver mais largo e mais longe nos difratados reflexos daquilo que do outro lhe vem em resposta, daquilo que lhe vem inusitadamente traduzido, inaugurando em si um novo horizonte.
Que nos tempos deste espaço se abra a oferta de uma oferta, de um convite à tradução… à possibilidade de um fazer, juntos.
Profa. Dra. Márcia Atálla Pietroluongo – UFRJ
Prof. Dr. Maurício Mendonça Cardozo – UFPR
Coordenadores do GT de Estudos da Tradução
Biênio 2008-2010
setembro 21, 2008 at 8:41 am
Inscrevo-me no espaço proposto e celebro com os colegas a sua instituição. Parabéns!